Eleições Americanas 2012

As eleições americanas estão se aproximando de seu momento decisivo e em breve teremos o nome do próximo governante a ocupar a Casa Branca. Têm sido uma disputa desgastante, principalmente para o candidato democrata, o atual presidente Barack Obama, que tenta o segundo mandato em meio a pesadas críticas pelo fraco desempenho da economia americana para reduzir a alta taxa de desemprego. De um lado temos Mitt Romney, candidato republicano, conservador, para alguns um fanático religioso, excessivamente pró-Israel, adepto das soluções militares unilaterais de altíssimo risco, fortemente contrário a elevação de impostos para os ricos e as grandes corporações, capitalista ao extremo e defensor do mercado como única alternativa para solucionar os problemas da economia, do desemprego e dos problemas sociais, que em sua visão devem ser resolvidos pelos próprios trabalhadores com seus próprios rendimentos e através de suas próprias escolhas, tudo em nome de uma suposta liberdade de escolha e sem nenhuma interferência estatal. Para os republicanos a interferência do estado, por menor que seja, é uma excrecência a ser combatida e reduzida, mesmo que esta seja para corrigir falhas estruturais do capitalismo, quando este não consegue proporcionar o mínimo de bem estar social, saúde e educação para as classes mais desfavorecidas da população que ficaram a margem do desenvolvimento econômico. Desenvolvimento que nem sempre consegue prover ocupação e bem estar a todos os segmentos da sociedade.

De outro lado temos Barack Obama, candidato democrata, considerado socialista por parte do eleitorado, mas que pelos padrões europeus seria na melhor das hipóteses apenas um moderado social democrata. Defensor das minorias raciais, dos direitos individuais, inclusive dos gays e também da permanência dos imigrantes ilegais que chegaram aos EUA quando jovens. Defensor de investimentos em tecnologias ambientalmente equilibradas, menos poluentes, sobretudo no setor energético e que possam proporcionar uma nova fonte de empregos e um novo paradigma a economia americana. Defensor do mercado como forma de expandir a economia e reduzir o desemprego, mas sem abrir mão de uma maior carga tributária para os mais ricos e assim redirecionar os recursos para melhorar os investimentos em setores mais desfavorecidos, principalmente na área de saúde e no suporte aos gastos com educação para os mais pobres. Adepto da redução dos gastos militares e da melhor utilização dos recursos para desenvolvimento de novas tecnologias e operações de inteligência, proporcionando assim ações mais efetivas, de maior eficácia e também com menor a exposição das tropas americanas. Foi o uso de novas técnicas e táticas que trouxe resultados expressivos em operações de contraterrorismo e que foi decisivo para devastar a liderança do Talibã e da Al Qaeda no Afeganistão, Paquistão e Iêmen, mantendo os terroristas na defensiva. Foi o governo Obama que corrigiu o objetivo original da guerra contra o terror ao encerrar a guerra do Iraque, que nem mesmo deveria ter sido iniciada, e direcionar os recursos militares para o Afeganistão, alvo original, e assim enfraquecer o Talibã, permitindo assim concentrar esforços para encerrar este conflito, segundo seus planos ainda em 2014.

O eleitorado rapidamente esquece os detalhes históricos para entender as causas dos problemas atuais do país, principalmente o cidadão de nível médio, mais concentrado em suas responsabilidades diárias e que não observa as diferenças fundamentais entre as duas campanhas. Cabe aos candidatos apresentarem suas reais propostas e não se perderem em dados estatísticos, o tipo de informação entediante e que os torna muito semelhantes aos olhos do cidadão comum. Para Romney um programa de governo muito claro não seria muito bom, pois mostraria a verdadeira face de falcão intolerante e individualista, ávido por lucros, onde o desenvolvimento social e a redução do desemprego é apenas uma consequência do sucesso das grandes corporações, uma concessão que estas se dispõem a conceder somente quando atingem o sucesso econômico. Portanto, a tática de Romney é parecer o bom moço americano, bonito, durão e elegante, que chega com ar de salvador da pátria para trazer a prosperidade de volta. Resta a Obama perseguir a diferenciação, mostrar as principais diferenças conceituais entre os programas de governo e os rumos para se obter um crescimento sustentável, ao invés de desperdiçar tempo em apenas tentar desconstruir os argumentos de seu oponente. Sua tática tem desperdiçado muito tempo em dados da economia, e logo após o primeiro debate ficou claro que isso é apenas uma das formas de perder a eleição. Primeiro porque a economia ainda está em recuperação, e depois porque os republicanos estão na oposição e na posição cômoda de franco atirador e crítico das ações do governo.

Para o resto do mundo o resultado das eleições também é muito importante, na medida em que saberemos se teremos no cenário externo os EUA com uma postura republicana, conservadora, mais agressivo, tanto do ponto de vista econômico, quanto em sua politica externa e assuntos militares. Propenso a intervenções militares perigosas e de altíssimo risco, sem levar em conta definições prévias das Nações Unidas, sobretudo nas atuais crises com a Síria e o Irã. Uma administração com forte tendência em fornecer mais suporte do que o necessário a Israel, o que afastaria ainda mais as possibilidades em se encontrar uma solução diplomática para um estado Palestino. Propenso a desafiar a China em suas disputas no mar do Japão e no mar do sul da China, bem como em desafiar a Rússia na Europa ao expandir sua influência a países do antigo bloco soviético, apenas para impor a hegemonia americana em nome de uma suposta defesa dos interesses e da segurança dos EUA.

Com uma administração democrata, provavelmente também teremos no cenário externo um governo agressivo economicamente, porém mais propenso a acordos de cooperação e com uma política externa mais realista e que compreende melhor as diferentes e emergentes forças existentes em um mundo mais complexo. Um governo mais cauteloso em assuntos militares, evitando envolver os EUA em guerras desastradas, como a do Iraque, iniciada pelos republicanos, e que deixou para Obama um déficit de 1 trilhão de dólares logo no primeiro dia de governo, déficit que vem sendo reduzido a duras penas e que tanto dificultou e atrasou os planos de recuperação econômica. Os EUA continuarão a exercer pressão sobre o Irã na tentativa de evitar que desenvolva armas nucleares, e entrarão em conflito com este país somente no último momento, e somente se for possível conter seu projeto atômico. Continuarão pressionando por um acordo de paz entre israelenses e palestinos, e não apoiarão a política do governo israelense em expandir os assentamentos judaicos na Cisjordânia, política esta que apenas afasta as possibilidades de um acordo de paz e da criação de um estado palestino. Os EUA não deixarão de ser uma superpotência ciosa de seus interesses no mundo, mas haverá maiores possibilidades de ações pragmáticas e melhor alinhadas com seus aliados e os principais organismos internacionais.

Let us see what is going to happen next.

Raimundo Oliveira.
Cientista Social especializado em Política

Sobre Oliveira

I'm a Social Scientist interested to study and provide analysis of global relevant issues. I'm bachelor in Social Sciences at Federal Fluminense University, and also earned Logistics degree from Paulista University and postgraduate in Business Management at INPG / Castelo Branco University, Brazil. For professional contact send an email to rrsoliveira@hotmail.com
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Uma resposta para Eleições Americanas 2012

  1. Mr WordPress disse:

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