Disputa presidencial americana 2012 – segundo debate

   Assistimos recentemente ao segundo debate presidencial norte-americano. Foi um bom embate, intenso e com boas colocações de ambos os lados. Em sua maioria com foco em assuntos internos americanos que claro, são a maior preocupação do cidadão de nível médio americano. A economia, sem dúvida alguma, dominou a maior parte do debate. E não é para menos. Uma economia duramente atingida por 23 milhões de desempregados nas palavras do governador Mitt Romney, e uma taxa de desemprego na faixa de 7,8% da força de trabalho são números muito intensos, negativos, sombrios, mesmo para a maior economia do mundo. E o candidato republicano não perdeu tempo em atacar estes resultados negativos do governo Obama, prometendo que caso eleito irá dinamizar a economia reduzindo os impostos para classe média e os pequenos negócios, e que pretende investir fortemente em energia para alcançar a autossuficiência energética, investindo em fontes não renováveis, como o petróleo e o gás. Prometeu também trazer de volta empregos da área de manufatura que foram transferidos a China.

   Já Obama, ao longo do debate, defendeu a livre iniciativa como o melhor método de desenvolver o país e lembrou que já havia aliviado os impostos para classe média em seu governo, e que estes não serão modificados para aqueles que têm ganhos até 250 mil dólares por ano, portanto não haveria incremento de impostos para 97% dos pequenos negócios e 98% das famílias americanas. Comentou que o país precisa das atuais fontes energéticas e que vem investindo em novas fontes de energia limpas, como a eólica e a energia solar e menos poluentes como os biocombustíveis, porque é preciso planejar o país para os próximos 10 anos, 20 anos e não somente para o próximo ano, e dessa forma criar novos empregos e lidar com isso de uma forma ambientalmente segura. Comentou também que alguns empregos não retornarão ao país, porque pagam baixos salários, e também porque o país precisa de empregos de alto valor agregado a serem obtidos em investimentos em tecnologia e educação.

   Vários outros pontos foram abordados por Obama a respeito de sua política externa e também com relação às recentes guerras que os EUA estiveram envolvidos, embora esses temas não tenham sido objeto deste debate. O que de fato vimos foi uma reação de Obama, que precisava melhorar seu baixo desempenho em relação ao primeiro debate quando ele se apresentou discreto e apático. Desta vez ele se comportou de uma forma mais firme, decisiva, procurando explorar as falhas do discurso do candidato republicano e procurando mostrar que os democratas têm propostas mais consistentes e responsáveis para recuperação da economia americana. Logo após o debate a rede CNN destacou uma vitória de Obama de 46% contra 39% de Romney, embora este não seja o resultado de que ele realmente precisava.

   O próximo debate será na Flórida no próximo dia 22. Os assuntos de política externa devem dominar a pauta de discussão. Será importante observar as propostas dos candidatos já que teremos uma visão de como a superpotência planeja se comportar em temas de alto risco, como as crises síria e iraniana. Teremos a oportunidade de observar duas visões opostas de política externa. Uma visão republicana, a de Mitt Romney, mais ao estilo Bush, tentando impor ao resto do mundo as regras americanas em áreas de conflito, principalmente no Oriente Médio e como ele pretende lidar com a questão iraniana. Poderemos verificar como ele pensa sobre os assuntos da América Latina, principalmente sobre Cuba e Venezuela e talvez sobre as ações chinesas na Ásia.

   De outro lado, veremos uma já conhecida e recente visão democrata, a de Barack Obama, que compreende melhor as diferentes forças emergentes no mundo, que adota um comportamento mais propenso à negociação e a cooperação, sem abrir mão de combater o terrorismo com energia. Obama vem lidando de forma equilibrada com a questão do programa nuclear do Irã, evitando um apoio incondicional aos planos israelenses de um ataque as instalações nucleares daquele país. Ele cumpriu o compromisso de encerrar a guerra do Iraque e tem meta definida para encerrar o conflito no Afeganistão em 2014, quando então as próprias forças do país serão responsáveis por prover sua própria segurança em uma região tensa e conturbada. Não será fácil. Se depender do Talibã e de aliados duvidosos como o Paquistão certamente não haverá cooperação.

   Assistir ao debate será interessante, pois os candidatos poderão assumir compromissos importantes perante o público e passar para o restante do mundo as tendências quanto às futuras ações americanas para os próximos quatro anos.

Let us see what is going to happen next.

Raimundo Oliveira.

Cientista Social especializado em Política

Sobre Oliveira

I'm a Social Scientist interested to study and provide analysis of global relevant issues. I'm bachelor in Social Sciences at Federal Fluminense University, and also earned Logistics degree from Paulista University and postgraduate in Business Management at INPG / Castelo Branco University, Brazil. For professional contact send an email to rrsoliveira@hotmail.com
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