Eleições Americanas – último debate

   Neste último debate presidencial assistimos a uma importante discussão sobre a política externa americana. Um dos temas mais esperados, em vista do enorme envolvimento dos EUA com os principais temas e disputas mundiais. Os candidatos presidenciais procuraram mostrar suas propostas e prioridades e como pretendem lidar com situações tão desafiadoras.

   De um lado o presidente Obama procurou mostrar as principais realizações de seu governo, e também os pontos que ele considera importantes que sejam executados. Por estar na liderança do país e mais experiente em assuntos externos, se sentiu mais a vontade para tratar de importantes tópicos da política externa americana, tais como:

  • A eliminação dos principais líderes da Al Qaeda nas regiões de fronteira entre o Afeganistão e Paquistão;
  • O trabalho de transição para encerramento da guerra do Afeganistão e a transferência de responsabilidade pela segurança do país para os próprios afegãos;
  • A atuação dos EUA ao liderar a coalizão internacional que ajudou a derrubar o ditador da Líbia sem interferência militar terrestre;
  • A importância de se manter a segurança de Israel, seu mais importante aliado no Oriente Médio;
  • A importância de que os países apoiados pelos EUA no Oriente Médio mantenham suporte as operações de contraterrorismo americanas;
  • A necessidade de continuar protegendo as minorias religiosas e as mulheres desses países onde existe conflito para que todos possam se desenvolver;
  • A participação americana em organizar a comunidade internacional para deposição do líder sírio Bashar Al Assad e em mobilizar as forças moderadas do país, além de providenciar ajuda humanitária;
  • A posição americana de que devem ser os próprios sírios a determinar seu próprio futuro e que se deve trabalhar em conjunto com os aliados americanos sobre este tema;
  • O fato de que as alianças nunca foram tão fortes com países na Ásia, Europa e África e com Israel, em razão de uma cooperação militar e de inteligência sem precedentes, incluindo em lidar com a ameaça iraniana;
  • O combate ao programa nuclear iraniano através das mais fortes sanções econômicas da história causando sérios problemas à economia do país e uma desvalorização da moeda do Irã em 80%;
  • As sanções que também provocaram a queda da produção de óleo iraniana que caiu para o nível mais baixo desde que eles estiveram em guerra com o Iraque 20 anos atrás;
  • Obama mencionou que não se pode admitir a possibilidade de uma corrida armamentista na região mais volátil do mundo. O Irã é um estado que patrocina o terrorismo e é inaceitável que possam fornecer tecnologia nuclear para organizações não estatais;
  • Obama também disse que os iranianos devem terminar o programa nuclear por meios diplomáticos ou terão que enfrentar a força de um mundo unido já que não haverá outras opções.

    Na área econômica, Obama não perdeu a oportunidade de mencionar que o país precisa trazer os empregos de volta ao país e que não se pode recompensar as empresas que estão exportando postos de trabalho americanos. Mencionou que o país cortou o nível de importações de óleo para o ponto mais baixo em duas décadas porque se ampliou internamente a produção de óleo e gás natural. Mencionou a importância de se pensar sobre a segurança cibernética, o espaço e que essas preocupações são dirigidas pela estratégia e não pela política. Obama também mencionou que o país precisa ter o melhor sistema educacional do mundo, e que o país deve reter os trabalhadores para as vagas do amanhã, e que o déficit atual deve ser reduzido por meio de corte de gastos que o país não precisa, e assim conseguir investir em tecnologia e pesquisa que são a chave para a economia do século 21.

   Com relação à China, o presidente lembrou que esta é um adversário, mas também é um potencial parceiro da comunidade internacional se estiver seguindo as regras. Portanto sua atitude com relação aos chineses é de que haverá insistência para que pratiquem as mesmas regras como todos os demais. Mencionou que acredita que a China possa ser um parceiro e que está enviando um claro sinal de que os EUA são uma potência pacífica, e de que está trabalhando com os países da região para que não existam problemas com o trafego marítimo e ainda que o comércio continue normalmente. As relações comerciais estão sendo organizadas com os países da região de forma que a China se sinta pressionada a ir de encontro aos padrões básicos internacionais.

Posições do candidato republicano

   De outro lado o governador Mitt Romney abriu o tópico de política externa dizendo que o norte do Mali, na África, tem sido tomado por indivíduos do mesmo tipo da organização Al Qaeda. Além destes, foram citados outros pontos de preocupação e também pontos sobre as ações que devem ser adotadas para lidar com as principais questões mundiais:

  • Romney mencionou que o Egito tem um presidente da irmandade muçulmana e que os americanos estão assistindo a uma dramática reversão do tipo de esperanças que os americanos tinham para a região;
  • Informou que estará colocando em prática uma abrangente e robusta estratégia para ajudar o mundo islâmico e outras partes do mundo para rejeitar o extremismo violento;
  • Mencionou que sua estratégia é muito franca. É ir atrás dos malvados para matá-los e colocá-los fora de ação;
  • Adicionou que sua estratégia é ainda mais abrangente e que deve ser perseguido o caminho que permita ao mundo islâmico a rejeitar o extremismo por sua própria conta;
  • Informou que não quer outro Iraque e Afeganistão e que este não é o caminho certo para o país. O caminho certo é perseguir a liderança destes grupos antiamericanos e jihadistas, mas também ajudar o mundo islâmico;
  • Romney mencionou que segundo um grupo de estudiosos em assuntos árabes organizado pelas Nações Unidas, os americanos poderiam ajudar o mundo a rejeitar estes terroristas por meio de mais desenvolvimento econômico, melhor educação, e agindo de acordo com a lei para ajudar estas nações a criar sociedades civis;
  • Criticou a Rússia e a citou como um inimigo geopolítico que está sempre nos combatendo nas Nações Unidas;
  • Sobre o Irã disse que este é a maior ameaça à segurança nacional dos EUA e que este país ajuda a armar o Hezbollah no Líbano o qual ameaça o aliado Israel;
  • Sobre a Síria disse que a remoção de Assad e sua substituição por um governo responsável é uma prioridade, e que se deve identificar e ajudar uma oposição responsável no país e assim fornecer armas para que se defendam, mas que se deve estar certo de que estas armas não caiam em mãos indevidas;
  • É a favor de se ampliar as sanções econômicas contra o Irã e não deixar que navios que transportem óleo iraniano venham para portos americanos, assim como companhias que estejam transportando o petróleo iraniano e até mesmo pessoas que estejam negociando com estes produtos para os iranianos;
  • Romney disse que as sanções deveriam incluir a área diplomática por meio do isolamento dos diplomatas iranianos, de forma que estes sejam considerados párias no mundo, e que se deve denunciar e processar Ahmadinejad por genocídio, e que a guerra para parar o programa nuclear iraniano deve ser a última opção;
  • Informou que não deseja intervenção militar e nenhum envolvimento em nenhum conflito e que devemos estar certos de termos um mundo, um planeta mais pacífico, e que as pessoas sejam capazes de desfrutar suas vidas e que tenham um brilhante e prospero futuro sem guerras.

   Segundo Romney os EUA têm a responsabilidade e o privilégio de ajudar a defender a liberdade e os princípios que tornam o mundo mais pacífico e que estes princípios incluem direitos humanos, dignidade humana, livre iniciativa, liberdade de expressão e eleições. Com relação às eleições ele disse que as pessoas tendem a votar pela paz e que estas não votam pela guerra. Mencionou que os EUA tem que promover estes princípios por todo o mundo e que os conflitos devam ser encerrados da forma mais humana possível, mas para ser capaz de executar este papel no mundo a America deve ser forte.

   Na área econômica disse que para existir uma liderança americana é preciso que exista uma economia forte no país e que não se pode ter 23 milhões de pessoas lutando para conseguir um trabalho. Segundo ele os jovens estão deixando a faculdade e metade deles não acham trabalho ou uma posição que esteja adequada para seu nível educacional. Ele disse que tem a agenda e a política para o futuro para colocar a economia para funcionar e assim criar 12 milhões de novos empregos. Mencionou a importância em incrementar o comércio com a América Latina e que o país não tem aproveitado totalmente as oportunidades na região, a qual tem uma economia quase do tamanho da economia chinesa. Criticou o fato de todos estarem focados na China, enquanto existem enormes oportunidades aqui próximas na America Latina. Romney insistiu no ponto de que o país tem que ser o campeão no desenvolvimento de pequenos negócios, o qual está no nível mais baixo em 30 anos sob a administração democrata.

Conclusão

 Os temas dos candidatos foram claramente expostos. Eles tiveram a oportunidade de colocar suas posições e cabe agora ao cidadão americano escolher sua opção. O tema economia é de alta importância na mentalidade dos americanos que atualmente tem muita dificuldade em lidar com as baixas taxas de crescimento, e um alto nível de desemprego na faixa de 7,8% da força de trabalho. Os assuntos de política externa por mais relevantes que sejam tendem a ficar em segundo plano, mas será o eleitor americano que escolherá o novo presidente e, portanto a nova administração que influirá fortemente na política mundial.

Se tivermos um candidato republicano eleito, no caso o governador Romney, passaremos pelo risco de um maior intervencionismo americano no exterior tentando ditar suas políticas de uma forma enérgica, o que poderia expor o país a mais conflitos diplomáticos, além de maior risco de ataques terroristas. Por outro lado, este se apresenta mais disposto em trabalhar com a America Latina para estreitar oportunidades comerciais ao invés de colocar foco na economia chinesa.

   Se tivermos um candidato democrata, no caso o presidente Obama, teremos a possibilidade de maior colaboração dos EUA com seus aliados na resolução dos principais temas de conflito, incluindo as disputas sobre o programa nuclear iraniano e a guerra civil na Síria. Obama é mais adepto de sanções econômicas do que intervenções militares e do uso de mais tecnologia e operações de inteligência contra os terroristas do que o uso de tropas militares.

  O fato é que temos atualmente um mundo com várias forças emergentes e com uma economia mais globalizada e suscetível a crises mais abrangentes com implicações mais sérias em vista da própria integração econômica. O mundo precisa dos EUA dispostos a um trabalho colaborativo com todos os demais países, de mais desenvolvimento, integração, negociação e utilização dos organismos internacionais para resolução de disputas. Uma força que modere os conflitos e que evite opções militares que somente ajudam a despertar forças reacionárias que se alimentam do ódio e das guerras.

  A rede CNN divulgou que Obama venceu o debate por 48% a 40%, mas isso não é o suficiente para garantir uma vitória eleitoral. Segundo a Reuters Obama tem atualmente 47% das preferências do eleitorado contra 46% de Romney, portanto existe um empate técnico.

Vamos ver o que vai acontecer.

Raimundo Oliveira

Cientista Político e Social.

Sobre Raimundo Oliveira

I'm a Social Scientist interested to study and provide analysis of global relevant issues. For professional contact send an email to rrsoliveira@hotmail.com
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