Os desordeiros mascarados

Quase todos já devem ter visto diariamente nos noticiários da TV as notícias de ações de vandalismo e depredação perpetradas por bandos de desordeiros mascarados que se infiltram em protestos legítimos, estragam manifestações com pauta definida, não apresentam propostas factíveis, desafiam a polícia de forma muito bem organizada até o limite da paciência de qualquer mortal, e quando são presos são rapidamente soltos pelos advogados de porta de cadeia especialmente contratados para este fim. Deixam a delegacia sorrindo e comemorando os malfeitos e ainda causando na polícia um profundo mal estar. Sim, mal estar na polícia, que não pode dar um “peteleco” nos desordeiros na tentativa de contê-los que rapidamente são filmados, fotografados e rotulados de agressores e indisciplinados. Existem excessos da polícia? Sem dúvida que sim, e os infratores tem que responder por seus erros, mas somente os policiais que estão lá sabem o que é ser xingado, atacado por pedras e paus, cusparadas, coquetéis molotov, e ainda ter que reunir uma paciência enorme para realizar prisões em meio a chutes e pontapés sem poder revidar. Assim fica difícil! O que faremos para lidar com isso? Porque esse pessoal não fica preso se existe reincidência? Porque não pagam pelos prejuízos? Porque podem andar mascarados livremente se sabemos de antemão que a meta é cometer crimes sem ser reconhecido? Não há dispositivo legal que proíba ou iniba o uso de máscaras, assim, em nome da liberdade de expressão, desordeiros mascarados passeiam livremente pelas cidades destruindo a propriedade pública e privada protegidos pela lei. Não pode estar certo. Alô, Alô, bandidos de plantão, pelo visto já podem sair mascados de casa para realizar assaltos, já que a liberdade de expressão lhes protegerá da abordagem policial. Isso é o fim da picada! Absolutamente inaceitável! Já pensou se a moda pega?!

Os Black Blocs, como os desordeiros mascarados são conhecidos, se inspiraram nos grupos alemães dos anos 80 que surgiram para protestar contra o uso de energia nuclear no país. Na época era um protesto legítimo, embora duramente reprimido pelo Estado. Eles tinham um objetivo claro nos protestos. O fim da energia nuclear no país. Os efeitos do mal funcionamento de reatores nucleares não é flor que se cheire! Até agora os japoneses estão atrapalhados para conter o vazamento radioativo em Fukushima de março de 2011, com sérias implicações ao meio ambiente. E muito pior foi em Chernobyl, acidente ocorrido em Abril de 1986 na Ucrânia onde morreram mais de 4.000 pessoas e outras 350.000 tiveram que ser evacuadas das áreas contaminadas. Mas voltemos aos Black Blocs, com o tempo eles foram se transformando e hoje são grupos anarquistas, inimigos do sistema capitalista e também do Estado. O negócio é ficar contra, mas eles não oferecem propostas democráticas para discussão. Alguém sabe de alguma? Se sim favor informar! Destruir o Estado e começar do zero está fora de cogitação. Isso não é proposta! Tudo o que conseguem com a desordem é desviar a atenção ao combate aos péssimos serviços do governo e a corrupção, permitindo que políticos corruptos posem de vítimas de seus ataques. Apesar de tudo, também é preciso encontrar uma forma de conversar com eles e encontrar alguma forma de aliviar as tensões. Conversar em um ambiente de diálogo e negociação, verificar o que pode ser feito, canalizar tanta energia para algo produtivo, a serviço deles mesmos e da população, mas jamais em meio a distúrbios e pancadaria. Esse tipo de fenômeno tem que ser observado com atenção para evitarmos a radicalização e o surgimento de grupos terroristas empenhados em atacar o Estado, como aconteceu nos anos 70 e 80 com os grupos Baader-Meinhof na então Alemanha Ocidental e as Brigadas Vermelhas na Itália. Acham que estou exagerando? Acho que não! A mistura combinada de radicalismo, revolta e ódio sempre pode gerar algo muito pior. A história está recheada de exemplos a respeito.

Raimundo Oliveira

Cientista Político e Social.

Sobre Oliveira

I'm a Social Scientist interested to study and provide analysis of global relevant issues. I'm bachelor in Social Sciences at Federal Fluminense University, and also earned Logistics degree from Paulista University and postgraduate in Business Management at INPG / Castelo Branco University, Brazil. For professional contact send an email to rrsoliveira@hotmail.com
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