Direitos Humanos à esquerda: Um peso e duas medidas

Recentemente em 31/03 quando o golpe militar de 1964 completou 50 anos ocorreram no país diversas manifestações e pronunciamentos, inclusive por parte do governo, contra a ditadura militar e seus excessos, quando esta foi responsável por práticas de graves violações dos direitos humanos, por meio de censura, sequestros, torturas e execuções de militantes de esquerda. Qualquer tipo de ditadura é perniciosa, ilegal, corrupta e não traz nenhum tipo de contribuição a democracia. Para os militantes de esquerda, que defendiam a instauração da ditadura do proletariado aqui no Brasil, é muito cômodo, hoje, se colocarem na posição de críticos do antigo regime. A democracia lhes permite isso. Eles podem se manifestar, criticar e falar o que pensam. Podem lutar por seus direitos, mas com palavras e não armas. Só não sei ao certo qual teria sido o nosso destino se os guerrilheiros tivessem vencido a guerra contra a ditadura. Provavelmente poderíamos ter vivenciado situações terríveis sob um governo totalitário de esquerda, basta observar os milhões de mortos sob os regimes comunistas da antiga União Soviética e China Comunista. Não há no mundo nenhum exemplo de governo comunista que tenha dado certo.

Portanto, o governo, o partido dos trabalhadores, os militantes de esquerda e todos os seus aliados comunistas, deveriam refletir sobre esse período negro e difícil de nossa história e fazer uma autocritica sobre seu comportamento atual com relação à democracia. Para começar deveriam condenar as graves violações dos direitos humanos onde quer que fosse. Tanto no Brasil, quanto no exterior. Inclusive as gravíssimas violações praticadas em Cuba, que segue com seu governo totalitário dos irmãos Castro, onde além da repressão política não existe a menor possibilidade de que haja partidos de oposição que possam se apresentar como uma opção para o país. Muito menos eleger um operário a presidente. O Brasil poderia também dar uma grande contribuição aos direitos humanos se condenasse a repressão política na Venezuela, o cerceamento da liberdade de imprensa e de expressão e a concentração de poderes no poder executivo, processo este que está conduzindo o país rapidamente para a ditadura. O Brasil será em parte responsável por isto, já que fornece apoio político e financeiro que fortalece o governo de Nicolás Maduro. E o que falar do lamentável apoio ao governo autoritário de Evo Moralez na Bolívia? Governo este que não combate a exportação de drogas ilegais que está destruindo a juventude brasileira sem que o nosso governo esboce a menor reação! Ou isso não é um tipo de violação dos direitos humanos?! Este tipo de condescendência com governos ditatoriais e autoritários nos leva a desconfiar e a suspeitar das reais intenções do governo do partido dos trabalhadores. Fica como prova negativa o mensalão. Um esquema de compra de votos no Congresso Nacional, articulado pelo governo petista para aprovação de projetos de seu interesse e, que poderia resultar na alteração ilegítima das leis do país. O que poderia vir depois? Portanto, o governo brasileiro deveria dar provas de maturidade política se quiser ser respeitado no cenário nacional e internacional. Deveria reconhecer os erros do mensalão e aprender com eles. Deveria reconhecer que somente um governo autenticamente democrático e com postura inquestionável de respeito aos direitos humanos aqui e lá fora é a solução viável para o progresso humano, assim como deveria criticar qualquer tipo de governo que viole estes princípios. Por que perseguições conduzidas por governos de esquerda não são criticadas pelo governo brasileiro? Apenas porque são parceiros político-ideológicos? A dor dos outros, por acaso, é diferente da nossa? Lá pode perseguir e aqui não pode? É com este tipo de gente que o governo brasileiro quer alinhar os destinos de nosso país? Essa falta de coerência no trato com os direitos humanos, onde claramente o governo trata o assunto com um peso e duas medidas, nos leva a suspeitar dos reais objetivos do governo com relação aos destinos do país.

Raimundo Oliveira

Cientista Político e Social

Sobre Oliveira

I'm a Social Scientist interested to study and provide analysis of global relevant issues. I'm bachelor in Social Sciences at Federal Fluminense University, and also earned Logistics degree from Paulista University and postgraduate in Business Management at INPG / Castelo Branco University, Brazil. For professional contact send an email to rrsoliveira@hotmail.com
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