Bolsonaro, pare de dar bom dia a cavalo

A exposição excessiva do presidente Bolsonaro as mídias finalmente renderam os frutos que a mídia esquerdista e os partidos de extrema esquerda esperavam. De tanto falar e comentar sem necessidade sobre assuntos polêmicos e já superados, cometeu o erro de se envolver em mais uma discussão desnecessária. Dessa vez pelos comentários inoportunos recentes de que contaria ao Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, de que forma seu pai teria desaparecido. Resumindo, a tática esquerdista de dar microfone ao Bolsonaro funcionou. É só ir provocando, perturbando, jogando cascas de banana, que ele escorrega e cai.

Pouco importa, no período em que vivemos, se o pai de Santa Cruz, que integrou a Ação Popular Marxista-Leninista do Brasil, movimento radical de esquerda que cometeu vários atentados contra as instituições nos governos militares, foi ou não um traidor do movimento e morto pelos próprios companheiros. Esse tipo de assunto já está superado. Documentos da Aeronáutica e da Marinha, em poder da comissão nacional da verdade, revelam que ele foi detido pelas forças de segurança em fevereiro de 1974 e depois desapareceu. O que levanta fortes suspeitas de que ele pode ter sido executado. Tocar em um assunto antigo e já superado apenas facilita a vida da atual extrema esquerda que vem sendo derrotada em todas as frentes e, que agora tem um ótimo argumento para se vitimizar e obter apoio político dos indecisos.

Pelos comentários do presidente, não só a mídia, mas todas as representações da OAB no país repudiaram a fala de Bolsonaro, em um momento em que o Movimento dos Advogados do Brasil vem se mobilizando para cassar o mandato de Santa Cruz que tem sido acusado de utilizar a OAB para defender interesses particulares e políticos. Recentemente Santa Cruz ofendeu o ministro da Justiça Sérgio Moro dizendo que ele banca o chefe de quadrilha.

A OAB também foi utilizada de forma equivocada, como foi o caso do recurso que a entidade impetrou na justiça e obteve mandado de segurança que impediu a polícia federal de investigar os dados do celular de um dos advogados do criminoso Adélio Bispo, aquele que atacou e esfaqueou Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial. Segundo a revista Época, este advogado de Adélio é conhecido por defender integrantes de uma perigosa facção criminosa. A polícia esperava descobrir nos dados do celular quem foram os mandantes do atentado contra Bolsonaro.

O presidente da república precisa falar menos, se expor menos, e quando falar, comentar sobre as realizações do governo e as metas a serem alcançadas. Ao tecer críticas sobre assuntos polêmicos deve fazer isso na hora e no momento certo, de forma cirúrgica, medida e calculada.

A oposição radical esquerdista vive momentos difíceis. Sua liderança está presa e vários de seus membros estão com processos na justiça. Os principais projetos do governo estão sendo aprovados, mesmo que com algumas reformas pelo Congresso, o que é normal que ocorra. Os hackers que atentaram contra a segurança nacional ao invadir os celulares de políticos, juízes, procuradores, ministros e até do presidente da república estão presos e a polícia está buscando pistas que conduzam aos mandantes dos crimes. O Verdevaldo e a Manuela D’ávila, que já foi candidata a vice-presidente da república, estão apavorados ao perceber que podem ser presos e acusados de receptação de informação roubada e de praticar crimes contra a segurança nacional.

Resumindo, a esquerda radical está claramente na defensiva e aí vem o Bolsonaro e faz um comentário inoportuno e desnecessário sobre o pai do Santa Cruz dando argumentos a mídia esquerdista que estava ficando praticamente sem munição. Agora corre o sério risco de ser interpelado pelo STF para esclarecer o que ele sabe sobre o pai do Santa Cruz e ainda responder a um processo por calúnia e difamação, senão algo pior.

Esse tipo de exposição pública do presidente prejudica os negócios, assusta os investidores quanto a estabilidade política do país e quanto ao apoio dos parlamentares as reformas.

Bolsonaro, por gentileza, pare de se expor desnecessariamente e se coloque na posição de presidente e líder das reformas que o país precisa para sair do atoleiro. Como disse recentemente sobre sua fala um gabaritado jornalista e comentarista político – José Nêumanne Pinto: “…A minha vó dizia que quem fala muito dá bom dia a cavalo e quem fala muito dá bom dia a petista…”. Foi exatamente o que Bolsonaro fez no recente episódio envolvendo o presidente da OAB.

Raimundo Oliveira

Cientista Social

Sobre Oliveira

I'm a Social Scientist interested to study and provide analysis of global relevant issues. I'm bachelor in Social Sciences at Federal Fluminense University, and also earned Logistics degree from Paulista University and postgraduate in Business Management at INPG / Castelo Branco University, Brazil. For professional contact send an email to rrsoliveira@hotmail.com
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