A pandemia Coronavírus e outras formas de abordagem

Os dados a seguir de coronavírus coletados do relatório nº 75 da Organização Mundial de Saúde de 04/04/2020 e os dados de população do Banco Mundial, estão aqui apresentados com o objetivo de demonstrar que apesar do Brasil ter decidido seguir o recomendado pela OMS e pelos principais países europeus impactados pelo Coronavírus, os resultados de casos e mortes no Brasil são semelhantes aos de países que não aderiram a recomendação da OMS, ou seja, que decidiram por tratar a pandemia de forma diferente de acordo com as características locais. Não paralisaram as atividades de todos os setores e não causaram um dano devastador a economia dos respectivos países. Preferiram, por exemplo, paralisar temporariamente atividades que geram intensa concentração de pessoas, como competições esportivas, espetáculos, cinemas e teatros, mas mantiveram a maioria das demais, mas com fortes recomendações de controle.

analise coronavirus
Em nosso caso devemos refletir se as propostas de especialistas favoráveis a abordagens menos radicais deveriam ser adotadas, mesmo porque a epidemia somente será controlada quando, entre 65% e 70% da população entrar em contato com o vírus e gerar anticorpos. A esmagadora maioria nem saberá que isso ocorreu. Estas pessoas imunizadas formarão uma barreira protetora a transmissão do vírus protegendo os demais. Resumindo, é preciso que pelo menos 136 milhões de brasileiros gerem anticorpos. Com isolamento ou não, haverá esta contaminação, e infelizmente, até que isso aconteça com a maior parte da população, mais pessoas ficarão doentes e poderão falecer.

Com relação a letalidade da doença preferi não incluir no quadro, porque o resultado pode ser maior ou menor de acordo com a quantidade de testes efetuados. Há países que aplicam mais testes e outros menos. Com bases muito diferentes os resultados de comparação serão totalmente distintos. Por isso, comparei as mortes em relação ao total da população. Muitas pessoas ficam doentes, se tratam em casa como se fosse uma gripe, são curadas e nunca saberão que se tratava do Coronavírus.

Em nosso país estamos com pelo menos 5.200 municípios sem registro de casos de Coronavírus. Por que os moradores destes municípios não estão trabalhando normalmente e utilizando máscaras em locais de aglomeração? Este é outro ponto que já deveria ter sido analisado. Se o Brasil tem dimensões continentais, com diferentes perfis populacionais e clima quente na maior parte do país, por que estamos adotando práticas de confinamento quase que padronizadas importadas de países menores de clima frio?

O vírus se propaga bem nas temperaturas frias dos países europeus e mais lentamente nos países de clima quente e tropical. Mais um motivo para questionarmos por que estamos seguindo medidas de países europeus.

Com todas as medidas já adotadas pelo governo com relação a equipamentos, medicamentos, profissionais de saúde e hospitais de campanha para as cidades de maior incidência do vírus, já está na hora de refletir se devemos adotar outras práticas de contenção da doença e de liberação de mais atividades de trabalho que não geram aglomerações, considerando também as diferenças regionais, para evitarmos o colapso econômico, o qual provocará também mortes e danos graves a saúde das pessoas. Se milhares de pequenos negócios falirem teremos milhões de desempregados com consequências devastadoras. Os conspiradores do desastre estão trabalhando ativamente para isso acontecer. Muita atenção!

Portanto, é preciso refletir sobre o que estamos fazendo. O Ministério da Saúde tem trabalhado arduamente para fornecer todos os recursos e informações para enfrentar a pandemia, mas não se pode deixar exclusivamente nas mãos destes médicos que pensam de forma padronizada as decisões do futuro do país. Há que se avaliar racionalmente a extensão dos impactos. Afastar-se da mídia catastrofista. Não se permitir ser dominado pelo medo e pelo pânico. Devemos ouvir também outros profissionais de saúde, cientistas e especialistas da área médica, igualmente competentes, inclusive especialistas de outras áreas de competência que deveriam estar participando tecnicamente do processo de decisão. Com uma análise técnica mais abrangente encontraremos uma ou mais opções, mesmo que regionalizadas, para sairmos mais rápido da crise.

Raimundo Oliveira
Cientista Social

Fonte dos dados Coronavírus da OMS:
https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/situation-reports/20200404-sitrep-75-covid-19.pdf?sfvrsn=99251b2b_2

Fonte dos dados de população – Banco Mundial:

https://data.worldbank.org/indicator/SP.POP.TOTL?locations=IT-BR-FR-GB-ES-SE-JP-KR&view=chart

Fontes dos dados de municípios – Jornal O Estado de São Paulo:
https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,metade-da-populacao-brasileira-vive-em-cidades-que-ja-registraram-coronavirus,70003255810

Sobre Oliveira

I'm a Social Scientist interested to study and provide analysis of global relevant issues. I'm bachelor in Social Sciences at Federal Fluminense University, and also earned Logistics degree from Paulista University and postgraduate in Business Management at INPG / Castelo Branco University, Brazil. For professional contact send an email to rrsoliveira@hotmail.com
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