O fascismo, suas variantes e principais características

O fascismo é uma ideologia política radical e ditatorial que surgiu no início do século XX, largamente associada aos líderes mais conhecidos, tais como, Benito Mussolini na Itália e Adolf Hitler na Alemanha. Os movimentos fascistas europeus se aproveitaram das graves crises sociais e econômicas, dos anos 20 e 30, e elegeram como culpados pelos fracassos nacionais adversários externos e internos que lhes teriam roubado a oportunidade de vitórias e conquistas na primeira guerra mundial. Estes movimentos também surgiram em reação a onda de movimentos esquerdistas que varreu a Europa, que embalados pela revolução russa de 1917 tentaram tomar o poder em várias nações europeias. Os fascistas, que defendiam ao extremo os valores nacionais, prometiam superar as dificuldades sociais e econômicas utilizando-se de métodos autoritários e radicais para alcançar seus objetivos. O fascismo, quando alcança o poder, se caracteriza por exercer poderoso controle político, social, militar e ideológico. A seguir podemos analisar e identificar as suas principais características:

1- Nacionalismo extremo: Praticam intenso foco no poder e na glória do Estado ou da nação, frequentemente associado a perseguição de minorias étnicas e religiosas, inclusive praticando forte xenofobia a outras nacionalidades, que frequentemente são marginalizadas e responsabilizadas pelos problemas nacionais.

2- Militarismo: Valorização do poder militar, rigidamente controlado e doutrinado pelo Estado. Os fascistas se empenham no desenvolvimento da indústria bélica e no fortalecimento das forças armadas, não somente para defesa nacional, mas também para apoio a aliados externos e para a expansão territorial.

3- Ditadura: O poder é centralizado no líder máximo do partido. Quando o poder total é alcançado os partidos políticos opositores são eliminados. Os fascistas rejeitam a democracia liberal multipartidária, a liberdade de expressão, a igualdade política e as garantias individuais dos cidadãos.

4- Estado Policial: O aparato policial e de repressão é fortalecido, não somente para combate ao crime, mas também para manutenção do controle político e ideológico.

5- Anticapitalismo: Os fascistas são contrários a economia de mercado e relativizam os direitos de propriedade privada. As empresas privadas podem operar desde que estejam alinhadas aos objetivos do regime. As demais empresas não alinhadas ao regime operam com alta carga tributária ou são proibidas de operar.

6- Socialismo:  O Estado fascista é estatizante e centralizador, procurando conduzir a economia de maneira a atingir os objetivos estatais traçados pelo governo e pela elite dirigente que podem ou não beneficiar o povo.

7- Anticomunista: O Estado fascista é contrário ao comunismo, a ditadura do proletariado, ao multiculturalismo e ao internacionalismo socialista.

8- Subordinação do judiciário e das instituições: Os fascistas exercem forte controle nas indicações de juízes, do ministério público e dos principais postos estatais, de maneira que todas as instituições estejam alinhadas com o regime.

9- Educação: O ensino é controlado de maneira a formar os futuros cidadãos nos ideais defendidos pelo Estado, garantindo assim, a formação e o controle político e ideológico da população.

10- Perseguição religiosa: O Estado fascista em geral é contrário as religiões, pois estas resistem a opressão e a injustiça, e ainda servem de refúgio espiritual e de resistência contra a ditadura.

11- Censura: Os fascistas exercem forte controle da mídia e do discurso público. As dissidências e opiniões divergentes são eliminadas. Não existe liberdade de imprensa e a livre manifestação do pensamento.

O fascismo tende a glorificar a ideia de uma sociedade “pura” ou homogênea e frequentemente recorre a bodes expiatórios para justificar suas ações, culpando determinados grupos sociais e minorias pelos problemas da sociedade.

O fascismo e o nazismo, quando comparados a seus primos socialistas e comunistas, se mostram muito parecidos. Todos quando alcançam o poder são ditatoriais, antidemocráticos, anticapitalistas, repressores e contrários a religião, praticando a censura e o aparelhamento do Estado de maneira a atender os objetivos do regime. O nazismo foi ainda mais radical ao praticar a eliminação sistemática do povo judeu e a limpeza étnica dos povos eslavos.

Os socialistas e comunistas, ao contrário dos fascistas, tendem a ser internacionalistas, mas não valorizam a ideia de nação, de pátria e família. Sempre que possível procuram expandir sua revolução para outros países, seja por meio de interferência militar direta ou por meio da infiltração política, da corrupção e da subversão. Quando alcançam o poder total não hesitam em reprimir com extrema violência qualquer oposição ao regime.

Uma citação atribuída ao ditador fascista italiano Benito Mussolini revela bem o caráter ditatorial, radical, extremamente centralizador de todos estes regimes: Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado.

Raimundo Oliveira

Cientista Social

About Raimundo Oliveira

I'm a Social Scientist interested to study and provide analysis of global relevant issues. For professional contact send an email to rrsoliveira@hotmail.com
Esta entrada foi publicada em educação, História, Politica internacional e marcada com a tag , , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma réplica