O tema que segue é de natureza política e ideológica e tem por objetivo principal apresentar a Escola de Frankfurt e sua poderosa influência de base marxista nos países ocidentais, principalmente nas universidades da Europa e dos Estados Unidos, sobretudo na área de humanas, bem como nos novos movimentos esquerdistas, os quais começaram a manifestar intensamente sua visão ideológica a partir dos anos 60. Os protestos e manifestações daquele período contestavam os valores da sociedade vigente e mobilizaram principalmente os jovens, que ao ingressar nas universidades, ainda inexperientes, ávidos por novos conhecimentos, envoltos em sonhos de progredir e modificar o mundo, típicos da juventude, foram então “bombardeados” por ideias e concepções totalmente diferentes daquelas que aprenderam nos respectivos lares, nas respectivas famílias e principalmente com seus pais.
Um livro excelente para explicar tema tão importante e tão impactante foi produzido por Cristián Rodrigo Iturralde: A Escola de Frankfurt e o início da Nova Esquerda. O autor utiliza bibliografia e texto de alto nível para explicar com clareza como se deu o processo de subversão da cultura ocidental, que vem enfraquecendo as democracias e abrindo as portas ao socialismo. A presente análise aborda boa parte do conteúdo do livro e nos permite realizar conexões com fatos históricos; com comportamentos dos movimentos estudantis; com atuações de partidos políticos e de organizações não governamentais e observar os impactos institucionais negativos que têm afetado profundamente as sociedades ocidentais.
Fundação do instituto
A Escola de Frankfurt foi fundada em 1923 por um grupo de filósofos e intelectuais alemães de origem judaica para desenvolver estudos sobre o marxismo e para identificar formas de sua aplicação prática, já que os métodos revolucionários violentos de tomada do poder, que foram largamente utilizados pelos bolcheviques na Rússia, não estavam obtendo a adesão da maioria dos trabalhadores nos demais países europeus. Entenda-se como bolchevique, que em russo significa maioria, o grupo político formado por ex-integrantes do Partido Operário Social-Democrata Russo que apoiava Vladimir Lênin.
A Escola foi fundada sob a modesta denominação de Instituto de Pesquisa Social. Durante alguns meses ocupou as instalações da Universidade de Frankfurt, na Alemanha. Posteriormente, em 1924, passou a ocupar uma edificação exclusiva e vizinha da universidade. Desde sua fundação o instituto gozava de plena autonomia, estando subordinado diretamente ao ministro da cultura. O instituto não adotou uma denominação que o vinculasse ao marxismo para que pudesse atuar de forma discreta e independente. Qualquer tipo de denominação de viés marxista causaria desconfiança e afastaria os ricos doadores alemães da época que lhes destinavam recursos. Haveria também o risco de chamar a atenção de setores conservadores da sociedade alemã e do estado alemão, todos antimarxistas, que ficariam contrários para a natureza dos estudos ali desenvolvidos. Curiosamente, o instituto contou com a decisiva colaboração financeira de Lucio Félix José Weil, cientista político de origem judaica nascido em Buenos Aires, filho de uma das famílias mais poderosas da Argentina, especializada com o comércio de cereais. Weil financiou o instituto por mais de 20 anos. Sem este aporte, segundo Iturralde, a Escola não teria sido possível.
A localização do instituto em Frankfurt, cidade que na época contava com a comunidade judaica mais importante e numerosa do país, assegurava certa proteção e tolerância, já que os intelectuais da escola também eram judeus de origem alemã. Em apenas 4 anos, entre 1924 e 1928, pelo menos 6 mil pessoas já haviam passado por suas salas de estudo. O Instituto havia se tornado o primeiro grande laboratório da esquerda cultural e do marxismo revisionista, que fornecia ensino universitário e conferia doutorado em temáticas de natureza marxista. Nos anos seguintes, o instituto inaugurou sedes em Paris, Londres, Genebra e Nova Iorque e somente parou de funcionar na Alemanha quando os nazistas chegaram ao poder em 1933. Após um breve período em Genebra, o instituto se mudou para os Estados Unidos em 1934, onde esteve afiliado à Universidade Columbia em Nova Iorque. O retorno para Frankfurt se deu em 1951.
O constrangedor sucesso da economia de mercado
Os filósofos e intelectuais frankfurtianos, já no decorrer da década de 20 do século passado, haviam percebido que os trabalhadores europeus e americanos estavam se adaptando bem ao capitalismo, mais exatamente à economia de mercado da época. As revoltas socialistas organizadas neste período foram reprimidas e não lograram obter adesão da maioria dos trabalhadores. As lutas que estes empreenderam em finais do século XIX e início do século XX haviam dado resultado e várias conquistas sociais importantes haviam sido regulamentadas por leis, tais como: redução das horas de trabalho, pagamento de pensões públicas, implantação de seguro social, melhoria dos salários reais, entre outros benefícios. A qualidade das conquistas variava em maior ou menor grau nos diferentes países ocidentais e havia surtido efeito em atender reivindicações trabalhistas que resultaram na melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores, quando comparado com o baixo nível apresentado no século XVIII e na maior parte do século XIX.
Os frankfurtianos perceberam que o capitalismo, denominação marxista para economia de mercado, estava sendo reformado continuamente pelas leis dos respectivos países visando atender reivindicações trabalhistas e estava progressivamente proporcionando melhores condições de trabalho e renda aos trabalhadores. Perceberam que o progresso da economia estava melhorando continuamente o acesso da população a bens, produtos e serviços e que isso afastava as pessoas dos revolucionários marxistas ortodoxos pró Moscou, os quais queriam destruir e alterar completamente o sistema vigente para instalar a ditadura do proletariado. Evidentemente, para os trabalhadores, era muito melhor fazer reivindicações e melhorar o sistema em vigor do que entrar em uma aventura incerta para destruí-lo.
Para os frankfurtianos era constrangedor observar que sob o comando dos capitalistas que tanto detestavam a segunda revolução industrial (1870-1914) havia implementado o maior conjunto de transformações sociais, econômicas e tecnológicas da história da humanidade e havia introduzido profundas e imensas transformações científicas, culturais e artísticas jamais vistas. Nas palavras de Robert Lucas, que ganhou o prêmio Nobel de economia de 1995: “pela primeira vez na história, o nível das massas e das pessoas comuns teve um crescimento sustentado (…). Nada remotamente parecido com esse comportamento econômico é destacado pelos economistas clássicos, nem sequer como uma possibilidade teórica”.
Da forma como as sociedades adeptas da economia de mercado estavam operando, com crescimento econômico contínuo e sendo capazes de superar crises gravíssimas, como foi o caso da Primeira Guerra Mundial e também a grande crise financeira de 1929-1933, que mergulhou o mundo em uma grande depressão, seria muito difícil implementar o marxismo, o qual estava completamente desatualizado para a realidade social vigente já no início dos anos 20. O decisivo conflito de classes entre a classe trabalhadora, formada principalmente por camponeses e operários urbanos, e a classe dirigente capitalista, não estava ocorrendo na intensidade necessária para derrubar o sistema vigente, a fim de estabelecer a ditadura do proletariado, conforme previsto por Karl Marx e Friedrich Engels.
Na visão dos frankfurtianos, o surgimento do cinema, do rádio, a expansão do teatro e a proliferação de jornais e revistas não somente eram novos negócios que se acrescentavam a economia de mercado, mas também eram poderosos veículos de comunicação, que, ao mesmo tempo que ofereciam divertimento e propagavam produtos e serviços, também estabeleciam novas formas de pensar e agir que reforçavam o sistema capitalista que tanto detestavam.
A estratégia e as táticas frankfurtianas
Para os filósofos e intelectuais da Escola de Frankfurt o capitalismo era um sistema perverso e opressor e que apesar do crescente progresso material que melhorava as condições de vida das pessoas e as afastava de revoluções violentas, ainda assim, eles as consideravam vítimas de uma engenharia social manipuladora que não percebiam e não conseguiam compreender. Como resolver este dilema? Como despertar as pessoas? Os frankfurtianos resolveram este problema entre meados da década de 30 e o final dos anos 60. Para atacar o capitalismo de maneira eficiente era preciso deslocar o foco da tradicional abordagem marxista soviética, que estava demasiadamente concentrada no conflito de classes e nos meios de produção. Era preciso colocar foco e atacar aquilo que eles consideravam seu principal alicerce: a cultura ocidental cristã. Para isso, era preciso efetuar uma revolução na forma de pensar e de ver o mundo que estava estabelecida entre as pessoas. Era preciso criar novos paradigmas socioculturais e engajar as pessoas nas mudanças pretendidas sem que estas percebessem que estavam sendo manipuladas. Era preciso efetuar uma poderosa e vigorosa abordagem cultural, atacando com firmeza os valores culturais vigentes, principalmente os costumes, a família e a religião. Por meio da destruição dos valores da cultura ocidental cristã, se destruiria o capitalismo.
Os frankfurtianos concentraram esforços no desenvolvimento de estudos e ensinamentos que provocariam conflitos internos, de natureza étnica, racial, social, familiar, sexual e religiosa, atribuindo valores a tudo que fosse oposto à unidade vigente. O capitalismo e os valores da civilização ocidental deveriam ser criminalizados e responsabilizados pela suposta opressão social e mental em que as pessoas viviam. Uma profunda desorganização na cultura e na maneira de pensar dos jovens, principalmente entre os universitários, abriria as portas ao socialismo, que seria apresentado como tolerante e democrático, capaz de unir a sociedade, e assim, poderia abrir caminho para instauração de uma nova ordem política, social e econômica de natureza socialista, teoricamente mais justa.
Em sua obsessão para destruir o capitalismo, os frankfurtianos preferiram subverter e sabotar a estrutura das sociedades ocidentais por dentro. Ao invés de propor reformas a um sistema que estava removendo milhões de pessoas da pobreza, preferiram se empenhar em destruí-lo. A este respeito, os teóricos frankfurtianos se lançaram em empreendimentos diversos, tais como: a crítica musical e literária, a análise do cinema e da sociedade de massas, os estudos relativos às formações sociais e das famílias, e até discussões sobre a sexualidade e o erotismo.
Os frankfurtianos penetraram em importantes universidades ocidentais e ali difundiram seus ensinamentos, principalmente na área de humanas: na filosofia, antropologia, ciências sociais, história, letras, comunicação social, jornalismo, etc., mas também no direito e na psicologia, como forma de alterar a maneira de pensar dos jovens, fazendo-os crer que viviam em um mundo terrivelmente intolerante que precisava ser alterado, modificado e profundamente reformado. Desde então, por onde os frankfurtianos e seus discípulos se infiltraram, boa parte dos jovens estudantes terminaram seus cursos convencidos de que viviam em uma sociedade terrivelmente opressora. Eles haviam assimilado novos valores, novos paradigmas socioculturais. Estavam doutrinados e com a mentalidade profundamente alterada; prontos para ocupar posições estratégicas nos movimentos sociais, nas empresas, na mídia, nos sindicatos, nas instituições em geral, nacionais e internacionais, inclusive na arena política, promovendo assim poderoso ativismo político-ideológico, resultando nos graves conflitos e desunião social a que temos assistido na atualidade.
Os ensinamentos absorvidos pelos estudantes, desde os anos 20, contaminaram as sociedades ocidentais e deram forma ao vigoroso desenvolvimento da nova esquerda durante os anos 60, que deixou de lado os postulados dos marxistas clássicos, que carregam uma visão universalista e internacionalista da revolução socialista, que colocam demasiado foco no que eles consideram a base ou a estrutura da sociedade, ou seja, as forças produtivas e suas relações de produção. A nova esquerda passou a pôr foco no que Marx chamava de superestrutura: O Estado, a ideologia, a religião, a cultura, etc. Todos os valores relacionados passaram a ser questionados, dando origem a múltiplos movimentos sociais, com especial foco na defesa dos direitos civis, políticos e humanos, especialmente das minorias, promovendo assim, no mundo ocidental: o feminismo, o ambientalismo, a liberação das drogas, o antirracismo seletivo, o multiculturalismo, a ideologia de gênero, etc. potencializando uma série de conflitos sociais, ao invés de efetivamente resolvê-los com propostas, reivindicações e reformas políticas e sociais pragmáticas.
Os resultados sendo colhidos
O marco histórico para a nova esquerda foi o chamado maio de 1968, quando explodiu uma rebelião juvenil na França, especialmente da classe estudantil, que se manifestou contra o capitalismo, o imperialismo, o autoritarismo e a todo tipo de regulação moral da época. As obras dos frankfurtianos foram de grande influência neste movimento, notadamente os trabalhos de Herbert Marcuse, em especial O fim da utopia (1968), quando se verificou diversos slogans associados a seus ensinamentos: “a imaginação no poder”, “sejamos realistas”; “peçamos o impossível”, “precisamos ferrar a ordem estabelecida”, entre outros.

Confronto entre estudantes e policiais no Quartier Latin, nos arredores da Sorbonne, maio de 1968.
Os trabalhos empreendidos nos EUA também apresentaram valiosos resultados para os frankfurtianos. Eles estavam lá desde os anos 30 ocupando cargos em importantes universidades e expandindo sua influência para milhares de estudantes. Além da Universidade Columbia em Nova Iorque, trabalharam na Universidade da Califórnia, Princeton em Nova Jérsei, Brandeis em Massachusetts e na Universidade de Chicago. Adorno, Fromm e Marcuse obtiveram grande popularidade entre os estudantes e os jovens durante os anos 60, especialmente entre os grupos minoritários que se consideravam marginalizados e oprimidos. Marcuse percebeu a pré-disposição dos estudantes para contestar e combater o sistema social vigente, em um período de massivas manifestações e lutas pelos direitos civis e enormes protestos contra a guerra do Vietnã. O acerto de Marcuse foi falar aos jovens em um momento crítico, quando estes se encontravam reprimidos e marginalizados. Marcuse simplificou suas teorias e estudos de maneira que fossem rapidamente compreendidos pelos ativistas da contracultura, fornecendo-lhes base intelectual para suas ações e rebeliões, por vezes violentas.
Segundo Iturralde, Marcuse, quando se referia a teoria crítica, conceito criado por Max Horkheimer, destacava que seu objetivo era “livrar a humanidade de velhas verdades”, entre as quais estavam incluídas a religião, a tradição, os valores e o moral cristão e livrar-se também de verdades e realidades estabelecidas pela razão e pela ciência, e por consequência, romper com a modernidade e a concepção positivista do Iluminismo, já que este, segundo Marcuse, não havia sido suficientemente revolucionário e transformador. Para alcançar este rompimento era preciso apontar os elementos “marginais” da sociedade, exagerar seus ressentimentos e libertar totalmente os seus instintos e impulsos, e assim, alcançar uma utópica sociedade “não repressiva”. Iturralde explica resumidamente que o objetivo da teoria crítica é a destruição definitiva da ordem existente. A metodologia para isso é a crítica sistemática e permanente, o enaltecimento do elemento utópico e a fomentação de um amplo pessimismo. As bases da sociedade cristã deveriam ser, portanto, destruídas, já que esta servia de base para o capitalismo, que em conjunto eram culpados pela “abundância” que fizera o homem perder seu instinto e capacidade revolucionária.
O que se percebe é que os frankfurtianos conseguiram efetivamente empreender uma revolução do pensamento e que vem sendo habilmente explorado por diferentes correntes políticas de esquerda para avançar com a pauta socialista. Boa parte dos jovens egressos das universidades tende naturalmente a ocupar posições nas instituições e passam a reproduzir ali os ensinamentos e visão de mundo da escola de Frankfurt.
A influência dos trabalhos disruptivos dos frankfurtianos muito contribuiu para a forte turbulência social durante os anos 60. Os títulos de algumas destas obras podem ser verificados nas notas ao final deste artigo. Entre os mais destacados estão Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Walter Benjamin, Erich Fromm e Max Horkheimer. Durante o mesmo período, outros intelectuais e pensadores da esquerda cultural francesa, tais como Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre e Michel Foucault, também exerceram influência em importantes círculos intelectuais europeus. As obras de outro importante influenciador marxista, o italiano Antonio Gramsci, na época já falecido, começava a exercer influência entre os estudantes no final dos anos 60 e início dos anos 70. A mais destacada delas, titulada Cadernos do Cárcere, foi mais difundida na Itália e na América Latina. Mas sem dúvida alguma, a extensa penetração dos frankfurtianos no ensino universitário, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, foi decisiva para a disseminação das ideias que atualmente conhecemos como marxismo cultural.
O marxismo cultural se expande
Os anos se passaram e aquelas manifestações de jovens idealistas dos anos 60 que questionavam o controle social e o modo de vida do sistema em que viviam foram então agravados pela ideia de que se pode mudar o mundo somente a partir do discurso, afastando as pessoas dos fatos e da realidade concreta. O marxismo cultural adquiriu então “vida própria”, novos pensadores, escritores e professores surgiram e todo conjunto de obras de pensadores de esquerda se consolidaram no ensino universitário; professores e jornalistas formados em instituições de viés marxista passaram então a difundir esta variante da mentalidade socialista, deixando de lado o estudo e o confronto de suas ideias com os estudos e obras de dezenas de outros importantes pensadores ocidentais.
Atualmente verificamos a emergência de pautas cada vez mais radicais e conflituosas: a ideologia de gênero; o feminismo radical; os movimentos LGBT; o discurso politicamente correto de esquerda; a libertinagem sexual; a destruição da família e da figura de autoridade; o ecologismo ou meio-ambientalismo radical; a liberação das drogas; o ataque permanente aos valores do cristianismo; a difusão de cotas raciais ao invés de sociais; o ataque a herança cultural dos antepassados; o ataque aos símbolos e as identidades nacionais; o multiculturalismo exacerbado; o incentivo a imigração indiscriminada que coloca em conflito povos de cultura e religião antagônicas; o racismo contra pessoas brancas; a defesa de todos os tipos de criminosos; o uso do discurso para relativizar a realidade em oposição a razão e a ciência, etc. Estas pautas estão presentes em nosso cotidiano e têm se agravado bastante na medida que integrantes de partidos políticos subversivos e manipuladores assumem posições de comando e potencializam seus efeitos negativos por meio da mentira, da vitimização e do identitarismo radical que divide as pessoas em grupos opostos. Esta nova esquerda curiosamente alega defender a democracia, o progressismo e a diversidade, mas reage a qualquer tipo de oposição, ideia ou opinião contrária com forte repressão, xingamentos e extremo radicalismo. A diversidade de ideias só é aceita se for uma variante da mentalidade esquerdista, caso contrário é imediatamente demonizada, combatida e classificada de fascista. A nova esquerda tem demonstrado com ações práticas que a minoria organizada pode efetivamente controlar a maioria desorganizada.

Califórnia: A tolerância as drogas, aos roubos e por fim a destruição das pessoas.
Enquanto isso, outros regimes autoritários e até mesmo totalitários, rivais do Ocidente, oriundos de outras civilizações, que não enfrentam os conflitos de sabotagem cultural desencadeados no mundo ocidental, assistem confortavelmente à implosão do Ocidente. Nestas regiões a penetração do marxismo cultural da escola de Frankfurt não tem espaço, senão vejamos: No Oriente Médio e em várias regiões da África e da Ásia, por exemplo, onde diversos países seguem as regras do Islã, determinados questionamentos de natureza religiosa, social e cultural são quase impossíveis de serem debatidos. As leis islâmicas são imutáveis e tentar modificá-las pode resultar até em pena de morte. Existe ali outro tipo de radicalismo político e religioso que exerce poderoso controle social. Na Rússia, um verdadeiro mundo à parte, controlado por forte regime autoritário, adepto da democracia de fachada, que na prática é uma ditadura, mas que ainda conserva muitos valores do antigo, corrupto e falido sistema soviético, tem logrado manter os valores culturais, religiosos e sociais de seus inúmeros grupos étnicos, pelo menos daqueles que conseguiram sobreviver a era soviética. Na China, país superpovoado, que também forma um mundo à parte, governado pela poderosa ditadura do partido comunista chinês, adepta do capitalismo de Estado, só penetra no país aquilo que o regime permite. A religião e os grupos étnicos minoritários dissidentes são fortemente reprimidos. Tudo é controlado pelo estado e qualquer violação das regras é duramente punida.
Se a implosão social, político e cultural do Ocidente persistir em ritmo acelerado, isto propiciará a oportunidade aos regimes autoritários e/ou totalitários de assumir a dianteira, e assim, exercer o controle do mundo, impondo seus valores e suas regras políticas e ideológicas.
Conclusão
Curiosamente, no Ocidente, os verdadeiros ideais democráticos de tolerância, liberdade de expressão, diversidade de ideias, desenvolvimento econômico e social, ao invés de proporcionar aperfeiçoamento e progresso contínuo, abriu espaço para que ativistas ideológicos, subversivos, corruptos, criminosos e psicopatas utilizassem os espaços democráticos para obter vantagens pessoais e, ao mesmo tempo, sabotassem as instituições nacionais visando a implantação da falsa democracia esquerdista que tem resultado em tirânicos regimes autoritários socialistas, em especial na América Latina. Tudo isso vem acontecendo provavelmente porque a maioria da população, as pessoas de bem, em geral avessas aos temas políticos e ideológicos, expostas às promessas e mentiras do populismo esquerdista, expostas à imensa subversão cultural já mencionada, se contentaram apenas com os benefícios oferecidos, se preocuparam quase que exclusivamente com seus negócios particulares, com suas atividades profissionais, com suas vidas pessoais e, assim, cederam precioso espaço institucional à criminosos, aos inúteis políticos manipuladores, ávidos por posições de controle e poder.
Já existe entre os povos ocidentais o crescimento da percepção de que estão seguindo no caminho errado e de que algo precisa ser feito. Já existe movimentação dos eleitores da direita europeia e americana, no mês em que estou publicando este artigo, em busca de maior espaço político. Infelizmente a reconquista dos espaços de poder perdidos é muito lenta e talvez quase impossível de ser plenamente alcançada. Um sistema corrompido controlado pela minoria organizada sabe utilizar as instituições nacionais e internacionais para se proteger e controlar a maioria desorganizada. Infelizmente, as democracias não são perfeitas e proporcionam demasiado espaço para a infiltração e disseminação das sementes de sua própria destruição.
Raimundo Oliveira
Cientista Social
Obras publicadas por autores da escola de Frankfurt para quem pretende se aprofundar no assunto:
Adorno, Theodor: Dialética do esclarecimento (1940). São Paulo: Editora Schwarcz AS, 1985.
Adorno, Theodor: Kierkegaard. Construcción de lo Estético. Madrid: Akal, 2006.
Adorno, Theodor: Mínima Moralia: Reflexões a partir da vida danificada. São Paulo: Editora Ática, 1992.
Benjamin, Walter: La Obra De Arte En La Época De Su Reproductibilidad Técnica. México D.F.: Itaca, 2003.
Horkheimer, Max: Teoría tradicional y teoría crítica (1937). Madrid: Paidós, 2000.
Lukács, Georg: A Teoria do romance (escrito em 1911, publicado em 1916). São Paulo: Editora 34 Ltda, 2009.
Lukács, Georg: Estética. Barcelona: Grijalbo, 1982.
Marcuse, Herbert: El hombre unidimensional. Barcelona: Planeta Agostini, 1993.
Marcuse, Herbert: Eros y civilización. Madrid: Sarpe, 1983.
Marcuse, Herbert: Razão e revolução (1941). São Paulo: Editora Paz e Terra, 2008.
Marcuse, Herbert: O fim da utopia (1968). São Paulo: Editora Paz e Terra, 1969.